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Case Indab: como simplificar a gestão do OEE com múltiplos produtos na mesma linha

7 out 2026

Resumo: a Indab, indústria paulista de autopeças, produz peças gêmeas em uma única batida de prensa e usa robôs de solda que trabalham várias ordens ao mesmo tempo. Com o MES da WEG Digital, passou a medir o OEE de cada ordem separadamente, eliminou planilhas paralelas e alcançou um OEE médio geral de 83%, próximo da referência de classe mundial de 85%.

Calcular o OEE costumava ser simples: uma máquina, um produto, uma ordem de produção. Mas o mix de produtos cresce, os lotes diminuem e, cada vez mais, um mesmo recurso produz itens diferentes ao mesmo tempo. Foi esse o tema do webinar Simplificando a Gestão do OEE com Múltiplos Produtos na Mesma Linha, apresentado por Marcelo Pinto, gerente geral dos negócios digitais da WEG, e por Adilson Dario, coordenador de TI da Indab.

Quem é a Indab

Fundada em 1974 por Adilson Dario e Anésio Benatti, a Indab completou 52 anos e hoje é conduzida pela segunda geração da família, com governança estruturada. A empresa fica em São Paulo e atende o setor automotivo tanto no mercado original, fornecendo para montadoras, quanto no de reposição.

O portfólio é amplo:

  • Veículos leves: juntas de motor, coxins de suspensão e de motor, peças estruturais externas, como suportes de para-choque, e internas, como estruturas de bancos.
  • Veículos pesados: reservatórios, retentores de cubo de roda e conjuntos de freio a ar.

Para produzir tudo isso, a Indab conta com estamparia progressiva e de máquinas individuais com capacidade de até 1.000 toneladas, ferramentaria própria e um parque completo de solda, com células robóticas, solda MIG/MAG e solda ponto.

O desafio: dados frágeis e várias ordens no mesmo recurso

O ponto de partida, há mais de 20 anos

Antes do MES, a realidade da Indab era parecida com a de muitas indústrias: informações dispersas, difíceis de auditar e editadas manualmente. Cada gestor mantinha sua própria planilha, sem rastreabilidade, e ninguém tinha certeza sobre a origem nem a confiabilidade dos números.

O resultado era uma gestão reativa. “A gente brinca que estava fazendo autópsia: o problema já tinha acontecido, já tinha passado, e a gente não tinha uma tomada de decisão rápida”, conta Adilson Dario.

Para mudar esse cenário, a Indab implantou o PC Factory MES, da antiga PPI-Multitask, hoje parte da WEG Digital, como fonte única e confiável de dados da operação. Hoje, a estamparia e a solda estão 100% no sistema, e a ferramentaria está em fase de prova de conceito.

– Leia mais sobre o que é o Sistema MES: https://www.weg.net/digital/blog/o-que-e-mes-manufacturing-execution-systems/

O desafio das múltiplas ordens

Com o apontamento digital consolidado, surgiu uma nova pergunta: como medir corretamente o OEE quando um único recurso produz mais de um item ao mesmo tempo? Na Indab, isso acontece em duas situações:

  • Estamparia progressiva com peças gêmeas. Uma mesma ferramenta produz a peça do lado esquerdo e a do lado direito em uma única batida da prensa. É um ganho importante de produtividade e de economia de material, mas são duas ordens de produção diferentes.
  • Robôs de solda com mais de um braço. O mesmo robô pode trabalhar ordens distintas em paralelo.

Se o sistema registra tudo como uma só ordem, o OEE, a qualidade e a performance de cada produto se misturam. Um refugo na peça esquerda, por exemplo, contaminaria os indicadores da peça direita.

A solução: apontamento de múltiplas ordens com governança de dados

Como funciona o apontamento

Em conjunto com a equipe da WEG Digital, a Indab desenvolveu o apontamento de múltiplas ordens em um único recurso, funcionalidade que hoje já faz parte do sistema. Na prática, o fluxo é simples para o operador:

  1. O operador seleciona as ordens de produção dos itens em questão, por exemplo a ordem 1 para a peça esquerda e a ordem 2 para a peça direita.
  2. Aloca as duas ordens no mesmo recurso, como a prensa ou o robô de solda, e ambas ficam ativas ao mesmo tempo.
  3. Informa um fator, que define como os índices do recurso são divididos. Se a ferramenta produz duas peças por batida, o fator distribui o tempo e a produção entre as duas ordens.
  4. Cada batida gera duas peças, mas OEE, qualidade e performance são registrados separadamente para cada ordem, e o histórico é consolidado de forma independente no banco de dados.

Por que a tecnologia sozinha não basta

Para Adilson, o apontamento correto é só metade do caminho. A outra metade é governança. A Indab adotou três práticas:

  • Padronização dos dados. Ordens múltiplas e ordens padrão seguem regras claras, e os fatores de cada ferramenta são cadastrados de forma padronizada.
  • Política de zero edição. O dado apontado no sistema não é alterado. Se algo parece errado, a equipe investiga a causa, em vez de corrigir o número.
  • Rituais de acompanhamento. As equipes analisam diariamente os indicadores em gestão à vista, discutem os desvios e definem planos de ação.

Com isso, os dados passaram a ser tratados “como ativos da gestão, e não só como um registro operacional”, resume Adilson. A empresa também investiu na infraestrutura das estações de apontamento e no treinamento dos operadores.

Os resultados: OEE de 83% com um mix complexo

A combinação de MES, governança e melhoria contínua trouxe resultados concretos:

  • OEE médio geral de 83%, mesmo com um mix variado de peças estampadas progressivas, peças individuais e conjuntos soldados. “Para nós, é motivo de comemoração, porque estamos usando o sistema da forma correta e, ao mesmo tempo, trabalhando em melhoria de processo, engenharia e ferramentaria”, diz Adilson.
  • Análise de carga máquina e homem em poucas horas, um trabalho que antes era demorado por depender de planilhas paralelas.
  • Rastreabilidade completa do histórico, que apoia auditorias e a gestão da qualidade.
  • Reconhecimento de clientes: em um deles, os índices de qualidade da Indab passaram de 103%, acima da escala de avaliação.
  • Decisões mais rápidas e baseadas em dados, sem depender da percepção isolada de um líder.

Lições aprendidas em mais de 20 anos de MES

Adilson compartilhou os desafios mais comuns, como a aderência dos usuários, a qualidade dos cadastros, a padronização de processos e a comunicação entre as áreas. Para superá-los, ele recomenda:

  1. Envolver os usuários-chave desde o início. São eles que garantem o uso do sistema no dia a dia.
  2. Treinar pelo processo, não pelas telas. Mostrar o fluxo da informação faz mais sentido do que apresentar telas estáticas.
  3. Tratar os dados como ativo da operação. É deles que vêm os insights e os planos de ação.
  4. Definir responsáveis pelos dados em cada área, não só na TI.
  5. Criar rituais de acompanhamento e medir o uso e a qualidade das informações.
  6. Começar simples e priorizar integrações com valor claro para a tomada de decisão.

Próximos passos

A Indab prepara a migração da versão 4.2 para a 4.4 do MES, que traz recursos de inteligência artificial para apoiar a análise dos dados de chão de fábrica. A base para isso já está pronta: dados estruturados e confiáveis. Como lembra Adilson, “sem dados bem estruturados, a IA pode alucinar”.

O que podemos concluir do case Indab

O case da Indab mostra que não é preciso ser uma multinacional para alcançar níveis de excelência em OEE. A WEG, com 68 fábricas em 19 países, seguiu o mesmo caminho em casa: em sua fábrica de fios, a digitalização somada à cultura de melhoria contínua levou o OEE de 76% para 89% e evitou R$ 21 milhões em investimentos em novas linhas. São duas realidades bem diferentes e o mesmo resultado, porque a receita é a mesma: disciplina na gestão, dados confiáveis e tecnologia a serviço das pessoas.

“Estamos na era da inteligência artificial, mas o básico bem feito precede a IA”, resumiu Marcelo Pinto. “Sem cultura de melhoria contínua e sem uma boa digitalização, não há qualidade de dados.”

A WEG, é a maior especialista em Sistemas MES no Brasil. Juntas, combinam décadas de experiência em sistemas de execução de manufatura com a força tecnológica do maior polo de engenharia industrial da América Latina, levando para outras indústrias as mesmas soluções que a WEG usa em suas fábricas: da estratégia à operação, do chão de fábrica à gestão.

Quer ver o case completo? Assista à gravação do webinar e fale com nossos especialistas para saber como medir o OEE com múltiplos produtos na sua operação.

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