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Só 35 empresas brasileiras atuam na China


Veiculo: Foz Net
Secao: Notícias
Localidade: PR
Data: Agosto 20, 2008
Hora: 20:2


Só 35 empresas brasileiras atuam na China

Gabriela Braga

Mylena Fiori - Enviada especial da EBC a Pequim

“O aprendizado será longo e cruel, mas não estar na China é não estar no mundo”. Assim Alberto Miranda, da Fundação Dom Cabral, resume o que significa fazer negócios com o gigante asiático. A frase, segundo ele, é do diretor geral da Embraco na China, João Carlos Lemos -– a fabricante brasileira de compressores já está há 12 anos no mercado que ao mesmo tempo atrai e atemoriza empresários do mundo todo.

“O fator China surge em toda discussão estratégica de todas as grandes e médias empresas hoje””, garante Miranda, que gerencia o programa China: Oportunidades e Desafios, voltado a executivos brasileiros interessados em conhecer o mercado chinês. ““As oportunidades são múltiplas, mas é necessário conhecer aquele ambiente, tão diverso do nosso. É preciso definir onde fazer negócio, com que segmento, quais sãos os concorrentes, conhecer direito empresarial chinês””, orienta.

Quase todas as 500 maiores empresas do planeta listadas pela revista Fortune possuem operações na China ou têm negócios com o país. Apesar do crescente interesse brasileiro, atualmente há apenas cerca de 35 empresas brasileiras atuando na China. Algumas já instalaram plantas industriais lá, como a Embraco, a Embraer (no país desde 2003 em associação com a estatal Avic 2) e a fabricante catarinense de motores elétricos WEG,. Outras contam com escritórios comerciais, como– é o caso de Gerdau, Suzano, Banco do Brasil e Itaú/ BBA.

Desde a entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC), o país também passou a permitir a abertura de empresas com capital 100% estrangeiro em alguns segmentos, como o de autopeças. Noutros é necessário um parceiro chinês. A entrada de empresas estrangeiras só segue proibida em setores considerados estratégicos, como o militar e segmentos da aviação. “““A abertura ao capital estrangeiro tem sido progressiva. Há setores que são incentivados, como aqueles que trazem tecnologia para a China””, frisa Miranda.

Atrativos não faltam no mercado chinês: mão de obra barata, carga tributária menor, boa condições de infra-estrutura, boas reservas de capital (poupança e reservas externas”). Outra vantagem citada por Miranda é o planejamento governamental de longo prazo para a atividade econômica.

Mas o dragão também tem suas fraquezas, como a escassez de matéria-prima, água e energia limpa - cerca de 75% da energia do país é gerada por termoelétricas a base de carvão, o que faz da China o segundo maior poluidor do mundo.

Miranda também chama atenção para um problema recorrente: as cópias. É comum os chineses simplesmente copiarem os processos das empresas que lá se instalam. Ele recomenda a contratação de uma boa consultoria em direito empresarial, especialmente em direito de propriedade intelectual. ““Se você proteger o produto, eles vão copiar o processo. Se você proteger o processo e tirar uma patente, eles vão copiar a marca. Se proteger a marca, vão copiar o logo, o jingle. Tem que estar muito bem assessorado em relação a isso e, ainda assim, poder correr algum risco””, alerta.

As diferenças culturais, – tanto no dia-a-dia quanto no ambiente de negócios, são a maior dificuldade. A paciência é requisito número um. Fechar um negócio pode demorar anos. Além disso, os chineses jamais dizem não explicitamente. E aquilo que parece um sim pode, na verdade, representar apenas um talvez.

“”Nem sempre a atitude positiva deles é um sim definitivo, apenas querem dizer que entenderam aquela questão e que haverá um segundo passo, mas não que o negócio esteja fechado””, diz Miranda. “”É típico do chinês dizer ‘yes and no. E isso pode estar mais para o ‘no“’ ”, diz. O fundamental, segundo ele, é prospectar e conhecer a dinâmica do país que responde sozinho por mais de um terço do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mundial.

enviado por Gabriela Braga

Fonte: Fonte: EBC BRASIL



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