

Uma multidão bate perna todo dia em busca de trabalho nas empresas catarinenses. Mas do outro lado do balcão a tarefa também não é fácil. Mesmo nos setores mais aquecidos, com abertura constante de novas vagas, contratadores enfrentam dificuldade para preencher os postos de trabalho diante da falta de qualificação da mão-de-obra disponível.
A demanda é tanto para áreas que exigem formação superior quanto para trabalhos mais técnicos. Especialistas em recursos humanos elaboraram um ranking com as 10 profissões mais aquecidas do mercado catarinense (veja lista ao lado). São áreas em que o profissional com conhecimento comprovado ou experiência tem vaga garantida, segundo o presidente da regional da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH) de SC, José Itajara de Souza.
- É uma situação inédita no Estado. Sempre existiu um exército de mão-de-obra disponível, gente para todo lado. Agora, temos vagas, mas falta gente qualificada. Tem gente fora do mercado que simplesmente não é empregável - explica.
Para Souza, essa incapacidade de se colocar no mercado afeta principalmente jovens de 18 anos, que não se preocupam em buscar um treinamento específico.
- Além de não desenvolver uma habilidade profissional, são pessoas que não sabem escrever um bilhete, que usam os vícios da internet para escrever, como palavras abreviadas e sem acentuação. E que não conseguem fazer uma simples conta de matemática que usa percentual.
Treinamento dentro da própria empresa
Souza cita uma empresa de Joinville que entrevista semanalmente cem pessoas para vagas de vigilância e serviços gerais e contrata, em média, apenas uma ou duas desse total.
A diretora executiva da regional catarinense do Grupo Catho, Flávia Kurth, confirma essa deficiência do mercado. Ela conta que em Blumenau, uma das dificuldades é contratar costureiras para as fábricas têxteis.
Flávia afirma que diante desta dificuldade, empresas estão desenvolvendo projetos para capacitação de profissionais dentro das fábricas.
- A proposta é capacitá-los já no posto de trabalho - explica.
Segundo ela, outra mudança que, aos poucos, começa a ser percebida no mercado de trabalho catarinense é a maior participação do setor de recursos humanos nas decisões estratégicas dentro das empresas.
- Os recursos humanos devem estar alinhados com as metas do grupo.
A WEG,, de Jaraguá do Sul, é exemplo de empresa que percebeu cedo esta necessidade. A indústria fundada em 1961 criou apenas sete anos mais tarde uma escola dentro da fábrica, o Centroweg. Nestes 40 anos, foram formandos 2,2 mil profissionais, sendo que cerca de 1,3 mil continuam na empresa. Um dos primeiros alunos foi Décio da Silva, que, mais tarde, presidiria a empresa por 18 anos e que ainda é presidente do seu conselho de administração.
Hoje, o CentroWEG oferece oito cursos técnicos para jovens com idade entre 16 e 18 anos residentes na região. O gerente de treinamento da WEG,, Jonas Germano Schmidt, diz que todos são contratados como aprendizes e efetivados após concluir o curso. São formados 80 novos alunos por ano, o que não impede a empresa de buscar profissionais em outras escolas técnicas também.
ALEXANDRE LENZI